27.5.06

Luana Piovani




Há um tempo atrás a assessora da Luana Piovani me escreveu dizendo que ela gostaria de ter uma caricatura feita por mim. Fico muito cismada quando alguém acha que eu faço caricatura e vou explicar meu motivos neste post.

Na minha opinião, caricatura é para quem pode e não para quem quer. Não consigo me ver retratando uma pessoa de forma cômica. Eu acho que isso é para aquelas pessoas geniais, como Al Hirschifield e o Baptistão.

Mas depois que fiz os desenhos da abertura do programa Saia Justa do GNT, todo mundo passou a achar que eu era craque em desenhar os outros, coisa que não sou. Eu acho até que deu certo para a Marisa Orth, Rita Lee, Fernanda Young e Monica Waldvogel. Mas eu fiz aquilo "no susto" com pouco prazo e sem cobrança nenhuma de ninguém, sem me preocupar em agradar a ninguém. Fui muito feliz naquele trabalho e ele me ajudou a aparecer mais e a conseguir outros bons trabalhos, sem dúvida. Mas depois daquilo comecei a receber os pedidos mais absurdos.

Uma vez queriam me contratar para ficar num hotel em Salvador, durante um seminário, sentada num banquinho fazendo caricaturas dos participantes. Só de me imaginar nessa situação minha pele se encaroça inteirinha! Primeiro porque odeio gente olhando enquanto estou desenhando. Sou muito tímida. Eu começo a me encolher, vou sumindo, sumindo... até parar de desenhar pra ver se a pessoa vai embora. Outra coisa: só de imaginar que alguém poderia chegar pra mim e dizer "Ah...não gostei. Não se parece comigo!" já me enfarta! Sou muito sensível a críticas e tenho uma necessidade doentia de agradar o que não dá uma boa combinação cerebral.

Mas depois de explicar que eu não faria uma caricatura e que meu traço havia se modificado bastante desde a época da primeira fase de programa, começamos o trabalho. A Luana é muito bonita e tem no site dela (www.luanapiovani.com.br) fotos maravilhosas. Foi por lá que comecei a me familiarizar com seus traços.

Depois de muitos rascunhos, selecionei três deles para apresentar e, com as observações daqui e dali fomos acertando o rumo. No meio do caminho a Luana corta o cabelo para fazer a peça "O Pequeno Príncipe" e eu pensei: dancei, vou ter que fazer tudo de novo. Não deu outra, mas sabe que ficou mais fácil? Acertei ela melhor com o cabelo curtinho. Depois foi só fazer os traços no computador, colorizar e começar a trabalhar na tela.

Bem, espero que vcs gostem, não é um tutorial, mas é um bom case.


Bjs,
Lady Guedes

3 comentários:

Rrramone disse...

You have crazy mad skills! Keep it up! :-)

Maria Eugenia disse...

Caricatura de mulheres entao é mais dificil ainda.
As suas ficam lindas e parecidas [ as do Hirschfeld tb ]. Vc nao apela para o exagero grotesco dos traços mais fortes ou característicos.
A Luana é a Luana e está linda , sem ficar ridicula.
Isso é para muito poucos ...
[ concordo com o rrramone acima]

André Leal disse...

Sensacional este post, eu também passo por situações semelhantes. Não tenho tanto medo de caricaturas, mas também detesto o estilo "showman" que se precisa ter para encarar trabalhar ao vivo in loco. Outra coisa que apareceu recentemente foi um amigo meu do colégio me pedir pra fazer um logotipo pra banda dele. Pô, desenhista é uma coisa, designer é outra ! Hahaha, às vezes uma pessoa trabalha nas duas coisas, às vezes não. Mas não adianta, a pessoa continua insistindo achando que "imagem" é tudo a mesma coisa...